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Especial Concursados  – Trajetória moldada pela empatia

Especial Concursados  – Trajetória moldada pela empatia

Não é por acaso que Maria está lotada em um setor de Assistência Social. Sua história de vida ofereceu a bagagem imprescindível para o atendimento que realiza no CRAS.

“Quando eu tinha 21 anos fui embora de Ubatuba pedindo carona somente com uma mochila, pois meu marido era muito agressivo. Fui parar na Argentina e essa trajetória me fez ser, muitas vezes, como as pessoas que eu atendo aqui”, compartilha.

Após muitos anos morando fora, várias experiências de trabalho e conhecimentos em diversas áreas, ela resolveu voltar para Ubatuba. Por ainda cursar faculdade, ela não se encaixou no perfil exigido para prestar concurso como professora – e então, se inscreveu para agente administrativo.

“Desde os seis anos que desejo ser professora. Foi também com essa idade que sofri preconceito pela primeira vez. O impacto foi tão grande que cheguei a detestar minha mãe, pensando que se meu pai tivesse casado com outra mulher eu teria nascido mais clara”, confessa.

De família remanescente de Quilombo, hoje, para Maria ser negra não faz diferença. “O tempo em que morei na Argentina não sentia distinção, porque lá o preconceito racial não é forte. Além disso, convivi com muitos descendentes refugiados da Europa por serem judeus e sofreram outra espécie de preconceito”, relembra. (Apesar de ter origem Quilombola, como não possuía documentação para provar, foi inscrita pela cota para negros).

Assim que retornou para o Brasil, começou a cursar contabilidade no colégio Tancredo e, em sala de aula, houve um debate sobre a existência das cotas, no qual a professora explicou o fundo de cena que instituiu o sistema pela legislação. “Na ocasião, me posicionei a favor das cotas, pois acredito que ela supre a defasagem. O que debati e defendi alguns anos atrás aconteceu agora. Fui aprovada em 229º lugar, porque esqueci os óculos no dia da prova e só pude ler cada questão apenas uma vez. Com as cotas, minha colocação foi para 11º e assim tive oportunidade”, diz Maria.

Sobre a inclusão do sistema de cota no Concurso Público, Maria classifica a iniciativa como muito boa e justa. “É Lei e faz parte da Constituição e é inconstitucional alguém questionar a lei. A Prefeitura só colocou em prática o que é está certo”, finaliza.

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