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Especial Concursados – “A gente dá a volta por cima e põe a felicidade em primeiro”

Especial Concursados – “A gente dá a volta por cima e põe a felicidade em primeiro”

Adriana Moraes Lopes tem 35 anos e trabalha como Auxiliar de serviços Gerais na Escola Municipal Prof. Honor Figueira

Moradora tradicional do Quilombo da Fazenda, Adriana Moraes Lopes começou a trabalhar na Prefeitura no dia 1º de fevereiro de 2016. Ela prestou o Concurso em 2015 após saber da abertura do edital na escola de um dos filhos.

Nascida em Paraty, foi morar na região do Quilombo quando a mãe se envolveu com o padrasto, hoje falecido. Quando a região da Fazenda da Caixa foi reconhecida como área remanescente de quilombo, um tempo depois, a área onde ela mora (Ponte Baixa) também foi incorporada como parte do local.

Ela disse que gosta de morar no local e que a própria Fazenda, onde fica a casa de farinha, é um celeiro de cultura – como dança e artesanato.

Com uma fé muito forte, garante que existem muitas pessoas que acabam manifestando inveja e que por muitas vezes ouviu que não seria aprovada no concurso. “Eu acertei 25 questões de 30. Fiquei brava de eu ter errado três de português e eu gosto muito de ler, principalmente romance, então não deveria ter errado. Uma de raciocínio lógico errei por conta de um zero – e me toquei quando entrei no ônibus para ir para casa”, revelou Adriana.

A jovem senhora concluiu o ensino fundamental e parou de estudar. Casou-se com 19 anos e, um ano depois deu à luz ao filho mais velho. Questionada sobre o desejo de aumentar a família, ela conta que os filhos vivem questionando, dizendo que querem uma menina.

“Digo pra eles que se eu engravidar pode vir um menino. Aí eles dizem que não tem problema, que vai ser irmão do mesmo jeito”, relata Adriana, que devido a alguns problemas com hormônio, pensa duas vezes antes de considerar a possibilidade.

Quando soube da oportunidade das cotas, viu uma ponta de esperança de ser aprovada, pois entre tantos inscritos seria uma possibilidade a mais de ser convocada – ela comparecia constantemente no RH para saber se as pessoas estavam sendo chamadas. “Estava fazendo trabalhos na temporada mas se fosse pro bem sabia que eu iria passar.

No dia 14 de janeiro eu estava prestando serviço e não ouvi o telefone tocar, mas ligaram pro meu esposo e ele me deu o recado. No dia seguinte fui ao centro, peguei a relação de documentos e sorte que eu tinha dinheiro, pois já autentiquei tudo – só faltou a declaração de quilombola e o atestado de antecedentes”, recorda a auxiliar de serviços gerais.

Adriana comenta sobre o benefício da realização do Concurso, principalmente, por ter garantido vagas em cotas. “Quando soube, pensei: vai ser bem mais fácil de eu engajar lá, porque no geral, quantas mil pessoas não iriam estar? O concurso dá chance pra todo mundo, se você for bem, você passa. Quando a coisa tem que ser para você, vai ser para você, não adianta olho gordo e nem inveja”, garante Adriana.

Sobre a felicidade ela responde – “A felicidade é uma coisa assim. Um dia você está feliz, no outro está triste, depende dos acontecimentos. Mas a gente dá a volta por cima e põe a felicidade em primeiro lugar. Eu posso, eu consigo”, finaliza.

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