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Condições sociais e preconceito afetam saúde da população negra

Condições sociais e preconceito afetam saúde da população negra

A vontade política como elemento para avançar em qualquer área pública e para implementar ações que garantam a equidade e o acesso a direitos foi um dos pontos de destaque da formação em saúde da população negra, realizada na segunda-feira, 30 de novembro, no Centro de Convenções de Ubatuba.

A palestrante Rosemary Maria dos Santos, da Diretoria Regional de Saúde (DRS) de Taubaté e do Centro de Desenvolvimento e Qualificação para o SUS, enfatizou a importância de levar as pessoas a refletirem sobre o porquê de existir o programa de saúde da população negra. “Há especificidades de saúde que precisam ser observadas na hora do atendimento e não é só por ser negra, mas porque carrega algumas questões de saúde que necessitam um olhar diferenciado”.

O cardiologista Sergio Francisco Luiz, coordenador do Projeto de Saúde da População Negra de São José dos Campos, trouxe dados sobre a realidade da mortalidade da população negra que relaciona diretamente desigualdade social e racial em um país que é multirracial.

“Hipertensão e diabetes têm maior prevalência na população negra e isso tem a ver tanto com explicações genéticas, mas principalmente, sociais, como o nível de moradia, acesso à alimentação e a medidas controle da doença, dificuldades no acesso a serviços de saúde. Sem falar na anemia falciforme e doenças evitáveis como leishmaniose, chagas e dengue”, conta Luiz. “A pobreza tem cor e é negra”. Ele destacou que a mortalidade infantil e materna também é maior entre a população negra o que a leva a ter expectativa menor de vida: 6 anos menos que a população não-negra.

Creuza dos Santos, secretária de Saúde de Ubatuba, lembrou que o conceito de saúde implica em bem-estar físico, mental e social. A trajetória da população negra traz a marca da história de exclusão social, do menor acesso à renda, a oportunidades de educação e desenvolvimento e a serviços públicos de todos os tipos. “É importante que profissionais da saúde saibam que todas essas questões levam à maior vulnerabilidade da população negra e têm interface com o adoecer”.

A secretária recordou também que a atual gestão no governo de Ubatuba decidiu por investir em diversidade com igualdade. “No último concurso público, chamado em 2014, foram colocadas cotas pra avançar na questão da igualdade. Dessa forma, conseguimos dar acesso e trazer justiça social para ocupação de cargos públicos e mantivemos a qualidade do atendimento. Temos uma dívida histórica de justiça com a população negra”.

 

ALGUNS INDICADORES E DADOS SOBRE A SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA*

Mortalidade materna – A taxa de mortalidade materna, em 2011, por 100.000 habitantes era de 68,8 para mulheres negras e de 50,6 para mulheres brancas. As principais causas da morte materna entre mulheres negras são: hipertensão, hemorragia, infecção puerperal.

Pré-natal e parto – A proporção de mães que declararam fazer 7 (sete) ou mais consultas médicas pré-natal – considerando o mínimo recomendado é 6 (seis) consultas – foi de 74,5% em mulheres brancas, enquanto em mulheres pretas foi de 55,7% e pardas 54,2%.

Mortalidade infantil – Das mortes na primeira semana de vida, 47% foi de crianças negras e 38% de crianças brancas. As principais causas da mortalidade infantil entre crianças negras: malformações congênitas, prematuridade e infecções perinatais. Grande parte das famílias negras vive em espaços urbanos e/ou rurais com ausência de informações e acesso a bens e serviços de qualidade (saúde, educação, saneamento básico, etc.), o que as torna mais vulneráveis.

Causas externas de morte – A segunda causa de morte mais frequente entre a população negra são homicídios, enquanto para brancos, esta aparece como quinta causa de mortalidade mais comum. Em 2012, do total de mortes por causas externas, 36% ocorreram entre jovens de 15 a 29 anos. Destes, 90% do sexo masculino e 59% são negros. Principais causas externas de morte entre jovens negros de 15 a 29 anos são as agressões (homicídios) com 62% e acidentes de transito com 22%.

Tuberculose – Em 2012, 60,8% dos novos casos de tuberculose se deram na população negra.

 

*Fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde / Ministério da Saúde, 2012.

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