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Primeira turma de alunos da escola indígena da Aldeia Boa Vista conclui Ensino Médio

Primeira turma de alunos da escola indígena da Aldeia Boa Vista conclui Ensino Médio

Oito jovens da etnia Guarani participaram na quinta-feira, 12, da primeira formatura de alunos que cursaram o ensino médio dentro da própria aldeia, na Escola Estadual Indígena Aldeia Boa Vista. A mesa de cerimônia foi composta por lideranças indígenas, entre eles o cacique Altino dos Santos Wera Mirim e Marcos Tupã, bem como professores, supervisores de ensino do Estado de São Paulo, representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), além da secretária de Educação de Ubatuba, Pollyana Gama.

Para as lideranças guaranis, a realização do ensino médio na própria aldeia é uma grande conquista para o povo indígena. “Antes, ao concluir o ensino fundamental, nossos alunos tinham que se deslocar para a cidade, enfrentando muitos obstáculos como chuva, frio, preconceitos variados, além das dificuldades de acesso como descer e subir a estrada todos os dias, pegar o ônibus até o Centro e retornar. Nossas jovens ainda enfrentavam o assédio de rapazes não-indígenas. Tudo isso acabava resultando em evasão escolar”, explicou Marcos Tupã.

A comunidade viu então a necessidade de ter o ensino médio na própria aldeia e, para isso, junto ao Ministério Público, buscou o entendimento com a diretoria e a supervisão de ensino de Caraguatatuba, que encontrou também professores que aceitaram o desafio de ministrar aulas na aldeia.

“Foi um processo de conquistas para nós. Primeiro conseguimos a unidade escolar e, depois, há três anos, a formação em ensino médio. Para nós é um motivo de orgulho muito grande, é a primeira vez na história da unidade de nossa aldeia. É mais uma etapa concluída para nossos alunos e agora os incentivamos para outros desafios, como fazer o curso vestibular, o Enem ou ter uma possibilidade de escolher como continuar, além de fortalecê-los”, acrescentou Marcos.

O ensino médio na aldeia permitiu a preservação da cultura e dos modos tradicionais de vida guarani e, ao mesmo tempo, o aprendizado sobre as transformações que ocorrem no mundo fora da aldeia. “Em um mundo globalizado, no século 21, as coisas da cidade são muito aceleradas e, mesmo estando na Aldeia, precisamos acompanhar para compreender os processos que ocorrem lá fora”, finalizou Marcos Tupã.

Funcionario